(uma paródia da poesia de Carlos Drummond de Andrade para José Sarney)
A farra acabou,
a fonte secou,
o sigilo quebrou,
e agora, José?
E agora, você?
Você que tem nome,
que zomba do povo,
você que faz mutreta,
que mente e se esconde,
e agora, José?
Está sem saída,
está sem desculpas,
está sem auxílio-moradia,
já não pode nomear,
já não pode negociar,
fugir já não pode,
o marimbondo te ferrou,
a defesa não veio,
o discurso não veio,
não veio o PT
e tudo acabou
e a gravação te entregou
e agora, José?
E agora, José?
Nomeou neto, nora,
sobrinha, afilhado
e até agregado.
Sua fundação
dinheiro desviou
pra rádio, TV
e empresas fantasmas.
E agora?
Com a chance de se redimir,
recorre à biografia,
diz que não foi limpar lixeiras
ou cuidar da despensa,
põe a culpa na imprensa
que persegue e humilha,
quer ir para o Maranhão,
Maranhão não há mais.
José, e agora?
Se você se afastasse,
se você renunciasse,
se você se entregasse,
se você se cansasse
de tanto persistir,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no cargo,
preside o Senado,
quase sem aliados,
mas com Lula do lado
e Dilma também.
Isolado numa ilha
você marcha, José!
José, pra onde?